17 janeiro 2017

3 ótimas razões para pensar visualmente


No próximo dia 23, das 14 às 18h, na unidade Aflitos da ABA Global Education, vai acontecer a primeira edição do Prof-Lab de férias. O programa de formações criativas para professores promovido pela Pipa, pela ABA e pelo Estúdio Abble de Aprendizagem vai receber o especialista convidado Sidan O Rafa que vem de Florianópolis para apresentar as contribuições do Pensamento Visual na aprendizagem dos estudantes.

Pensamento Visual ou Visual Thinking é o conjunto de estratégias que podemos utilizar para traduzir uma ideia de forma gráfica, através do desenho. Essas formas gráficas não são necessariamente produções artísticas altamente rebuscadas. O mais interessante do Pensamento Visual é justamente focar na simplicidade, sendo acessível a qualquer pessoa.

Esse tipo de abordagem ainda não é muito claro para todos. Por isso decidimos pensar visualmente e desenvolver um infográfico para tentar explicar melhor. Isso mesmo! Colocamos as estratégias à prova e aplicamos as estratégias do Pensamento Visual para apresentar três boas razões para pensar visualmente. Confira:


PROF-LAB DE FÉRIAS


Curso Pensamento Visual em ambientes de aprendizagem 
Quando? 23 de janeiro
Onde? Unidade Aflitos da ABA Global Education
Horário? 14 às 18h
Vagas? 30 (certificação com carga horária de 4 horas)
Inscrições: bit.ly/proflab

08 janeiro 2017

Você sabe o que é um doodle?


Lembrou das artes e animações comemorativas na página do Google, né? Sim, elas também são doodles, mas você sabia que esse tipo de arte gráfica já existia antes mesmo da criação da empresa? Destaco aqui esse texto (em inglês, sorry!) de leituras recentes e que apresenta como descoberta histórica uma série de doodles nas margens de manuscritos do século XIV.

A Wikipedia define doodle como um tipo de esboço ou desenho realizado ao acaso. Já o dicionário Oxford diz que doodles são desenhos grosseiros feitos de forma distraída. Essa "carga negativa" atribuída ao termo, perceptível na definição do dicionário inglês, aparece devido a forma como a palavra era empregada no século XVII. Nessa época doodle era o mesmo que tolo, simplório. Arriscaria dizer que essa escolha pela nomenclatura contribuiu em parte para que o desenho fosse até hoje considerado algo de menor valor em relação à escrita. O dicionário Cambridge é um pouco mais amigo. Em sua definição afirma que doodle é um pequeno desenho ou padrão produzido de formar despretensiosa, sem muito planejamento. Em bom português podemos traduzir como rabisco ou rascunho.

Figure 1. LJS 361, Kislak Center for Special Collections, Rare Books and Manuscripts, University of Pennsylvania Libraries folio 26r. Published in: Deborah Ellen Thorpe; Peter Stanley Fosl; Cogent Arts & Humanities  2016, 3, DOI: 10.1080/23311983.2016.1196864. Copyright © 2016 The Author(s)

Numa cultura em que a linguagem escrita se sobrepõe até mesmo à linguagem falada (oralidade) imagine qual o lugar que resta para a linguagem não verbal (visual)? Agora imagine como ficam os desenhos dividindo espaço com produções como vídeos, animações e fotografia? Imagine ainda como fica aquela produção que nem mesmo é considerada desenho: o rabisco?

Eu particularmente não vejo doodles como desenhos feitos "ao acaso" ou "sem pensar". Na verdade, nenhuma produção visual é concebida sem observação e consequentemente sem imaginação. Ou seja, é um tanto difícil desenhar algo sem pensar. Para sermos mais honestos é impossível para o ser humano permanecer algum tempo sem pensar em nada, não é mesmo? É por isso que vejo os doodles mais como desenhos livres e que qualquer pessoa consegue fazer para ilustrar e dar suporte a alguma ideia. Enxergando a partir dessa perspectiva, são desenhos que ajudam a simplificar uma mensagem complexa. Por serem produzidos a partir de traços simples, não tão rebuscados, são rotulados como bobos quando, na verdade, são espontâneos, o que é bem diferente.

Graças ao Design e à Internet os doodles saíram do nível do rabisco na lateral do caderno (ou do manuscrito) para figurar como importantes elementos de transmissão de mensagens na era digital. E o Google ajudou bastante nesse reposicionamento quando adotou esse tipo de desenho como principal recurso em vídeos e nas ilustrações comemorativas em sua página inicial. Os doodle-videos são hoje vistos como um gênero de produção audiovisual assim como um timelapse. Ponto para o Google que acreditou na força do Pensamento Visual e criou um estilo de vídeo para chamar de seu.

Assista ao doodle video do Google sobre compartilhamento de conteúdo: https://youtu.be/BcdZm3WAF4A 

Foi a partir daí que os doodles ampliaram o seu espaço no mundo das artes e conquistaram novas áreas como negócios e educação. A Doodle Art se tornou um estilo de produção gráfica muito difundida, inclusive ajudando no desenvolvimento de pessoas em condições especiais como no caso deste artista disléxico.

É justamente esse contraste entre uma ideia complexa e um traço simples que envolve o receptor. É possível perceber isso em múltiplos formatos como através de um esquema, de um infográfico, ou do vídeo produzido com doodles. E não é difícil produzir seu próprio doodle. Além do lápis e do papel, você também pode rabiscar em mesas digitalizadoras, no seu tablet e mesmo no celular através de aplicativos como, por exemplo, o Autodesk SketchBook. Em softwares como o Adobe Illustrator ou Corel Draw você também pode arriscar uma produção com o mouse.

Os doodles que ilustram esse texto foram produzidos em tablet no aplicativo Autodesk SketchBook por +Karla Vidal.

Certamente não vamos mais olhar o rabisco como simples obra do acaso. Seja como forma de diversão ou como registro de uma reunião, os doodles são importantes ferramentas de comunicação acessíveis a qualquer pessoa. A partir de agora você vai perceber que setas, balões, carinhas e textos, elementos gráficos que estão na base do Pensamento Visual, são recursos que ajudam a entender e produzir conhecimento nas mais variadas formas.

No Recife, professores e profissionais interessados em ter contato com os doodles e com o Pensamento Visual terão a oportunidade de participar do Prof-Lab de férias que vai trazer para a ABA Global Education a formação Pensamento Visual em ambientes de aprendizagem com Sidan o Rafa. O encontro está programado para acontecer no próximo dia 23 de janeiro e as inscrições podem ser feitas através do link: bit.ly/proflab.

23 dezembro 2016

Uma pausa para desejar Feliz Natal!


Assista aqui: https://youtu.be/h4UlT5fcL-I


É tempo de espalhar alegria!


Todo dia é tempo de espalhar alegria. Precisamos manter a motivação. Nessa época do ano fica mais fácil fazer uma pausa para refletir sobre o que podemos construir juntos para tornar o mundo um lugar melhor para todos. Chegamos à conclusão que para cumprir essa missão é preciso colocar em prática o que nos faz felizes. E é essa a mensagem que gostaríamos de deixar neste Natal.

Hoje nós fizemos uma pausa nos jobs e desenhamos. Desenhar nos faz felizes! O desenho virou vídeo e se transformou em uma singela mensagem de Natal para nossos amigos, parceiros e seguidores. Esse é o poder de fazer aquilo que te faz feliz.

Que suas festas sejam repletas de HoHoHo! 🎅🎄

Feliz Natal da Pipa!
Karla Vidal e Augusto Noronha

11 dezembro 2016

Uma rede e um livro em prol da valorização dos professores


Em 2015, na cidade de Ouro Preto, Minas Gerais, a professora Elô Lebourg teve a ideia de construir  uma rede de professores. À frente de uma iniciativa que envolveu estudantes em uma série de atividades em prol do patrimônio no distrito de Lavras Novas, Elô sentiu a necessidade de dialogar com outros professores a fim de estabelecer parcerias, trocar experiências ou simplesmente conversar. Estava formada a rede Professores transformadores que com estratégias simples de envolvimento e interação se tornou uma das pioneiras no trabalho de valorização docente no país.

Um site, uma página no Facebook e um perfil no Instagram foram desenvolvidos para começar a reunir professores dispostos a conversar sobre suas práticas diárias. Em pouco tempo um grupo de colunistas foi formado e diversos textos passaram a ser produzidos semanalmente. Nesses relatos os professores refletem sobre questões atuais e descrevem situações de superação das adversidades numa rede que pretende aproximar os professores escritores dos professores leitores através da identificação e do diálogo.

Após um ano de produção e interação a rede Professores transformadores decidiu expandir esses relatos e registrá-los oficialmente em um livro. A obra Nós, professores transformadores: olhares sobre protagonismo e valorização docente, organizada pelos professores Elodia Honse Lebourg e Doan Ricardo Neves da Cruz, será lançada na próxima sexta-feira (16), no setor educativo do Museu da Inconfidência em Ouro Preto, Minas Gerais.


De onde surgiu a ideia?


Conversamos um pouco com a professora Elô Lebourg que, além do ambiente virtual, também alimenta a rede com ações presenciais como rodas de conversa, exposições e exibições de filmes. Idealizadora da iniciativa Professores transformadores, Elô falou um pouco sobre o projeto de criar e manter uma rede de professores e sobre o desafio de publicar um livro. O resultado desse bate-papo você confere a seguir:



#PipaComunica - Quais caminhos levaram você à docência?


Elô Lebourg - Meu desejo de ser professora começou ainda no Ensino Médio, inspirada pelas aulas da minha professora de História. Cursei a faculdade de História depois de abandonar o curso de Engenharia Civil! Mesmo assim, meus primeiros anos de trabalho foram como pesquisadora e historiadora. Demorei um pouco a “criar coragem” de começar a lecionar, mas, em 2010, larguei tudo e fui! Deu certo, tem sido lindo!


#PipaComunica - O que a motivou a criar uma rede de professores? 


Elô Lebourg - Como professora, sentia-me muito sozinha nas escolas nas quais trabalhei. Por vezes, fui boicotada e maltratada por outros colegas e pelos gestores. As minhas ideias nem sempre eram bem-vindas, por mais simples que fossem. Comecei a pensar que essa solidão seria amenizada se eu pudesse me encontrar com outros professores como eu. Procurei uma rede que tivesse esse propósito, mas, como não encontrei, me preparei (estudei muito!) e criei uma!


#PipaComunica - O que seria um "Professor transformador"?


Elô Lebourg - Professor transformador é professor dedicado à ideia de que a educação pode mesmo transformar uma sociedade. É professor crítico e engajado, que luta também pelo sucesso do outro. É um profissional que assume a necessidade de constante formação e que tenta ser coerente na sua prática. É professor que assume erro, que está disposto a aprender junto, sempre.


#PipaComunica - Na sua opinião por que é importante reunir experiências em um livro? 


Elô Lebourg - Muitos dos relatos dos professores autores deste livro vêm de suas vivências cotidianas nas escolas onde trabalharam. Alguns dos temas abordados não são alvo da atenção dos pesquisadores da área de Educação. É importante uma obra que se dedique a expor a prática do professor no seu dia a dia, que materialize os detalhes do seu ofício e que se proponha a refletir sobre assuntos que, sabemos, afetam outros professores no país.

Foto: +Karla Vidal 

Editado pela Pipa Comunicação o livro estará disponível a partir do dia 15 de dezembro para aquisição, em formato impresso e digital, na Livraria da Pipa Comunicação. A edição impressa pode ser adquirida com frete grátis pelo valor de R$ 34,90. Já os adeptos da leitura online podem adquirir a obra em três formatos — PDF Epub e Mobi — pelo valor de R$ 9,90 através do link bit.ly/livrariadapipa.

07 dezembro 2016

#SouProfessorCriativo: criando experiências de aprendizagem realmente marcantes

Créditos da imagem: +Marcio Motta 

Há duas coisas que me movem a criar conteúdos diariamente. São duas grandes paixões que norteiam quase todas as atividades da minha vida: a tecnologia e a educação. Trabalhando com ambas há mais de 10 anos, posso afirmar com muita convicção que todo dia aprendo algo novo.

No entanto, uma das grandes questões que martelam a minha cabeça é como aplicar a tecnologia na criação de experiências de aprendizagem mais marcantes. Não se trata apenas de apresentar um app ou mostrar como funciona a regra dos terços da fotografia. Talvez isso nem seja mais assim tão importante porque o seu aluno pode até conhecer mais aplicativos que você. Já a regra dos terços é facilmente percebida e entendida pelos estudantes através dos grids presentes em todos os apps de fotografia do mercado.

O que tenho buscado são experiências de aprendizagem que encontraram nas tecnologias um apoio para algo maior. Experiências que envolvam os alunos nos diferentes movimentos que as tecnologias proporcionam. Vou aproximar da minha realidade, a fotografia, para ficar mais fácil de entender. Fotografar é muito mais do que fazer um clique. É mapear lugares, traçar objetivos, observar atentamente o entorno, perceber os detalhes, dialogar com pessoas, selecionar aquilo que te toca, experimentar, analisar o resultado e propor algo a partir disso. Sei que não é simples, mas sei que é possível e que as tecnologias estão aí para nos ajudar. Uma vez que o professor se aproprie disso, será capaz de criar muitas experiências transdisciplinares memoráveis para os estudantes.

Essa introdução toda foi pra dizer que nessa semana eu esbarrei com uma experiência exatamente nos moldes do que eu buscava. E ela envolve tecnologia, literatura, criatividade e fotografia. O autor é o professor +Marcio Motta do colégio COC Novo Mundo, em Praia Grande, São Paulo. Não vou me prolongar explicando porque ele próprio escreveu um relato sobre o projeto que reproduzo a seguir:

O livro que usamos este ano como base para o projeto de leitura do 6º ano foi escrito por Douglas Adams, uma das grandes mentes literárias que viveram no século 20: "O Guia do Mochileiro das Galáxias". O Guia é o primeiro da Trilogia de cinco livros (isso mesmo, trilogia de cinco...) e narra as aventuras de um humano e seu amigo E.T. pelo Universo, que viajava de um lado para outro conhecendo planetas e avaliando-os. Uma leitura divertida que mistura ficção, ciência, astronomia, política, realidade e muita visão de futuro do autor, que na década de 70 já criava cenários sobre tecnologia muito semelhantes aos de hoje.
Créditos da imagem: +Marcio Motta 
Nosso projeto ocorreu durante todo o ano de 2016, com a leitura sem pressa do livro, rodas de conversa, Dia da Toalha (não vou dar spoiler, ok?), criação de Mascotes E.T's, descoberta sobre o sentido da Vida e fechamos o ano com a criação do nosso próprio guia do mochileiro: "O Guia do Mochileiro Caiçara".
Nosso Guia teve o mesmo objetivo do Guia das Galáxias: mapear pontos de nossa cidade (Praia Grande, SP) para ajudar pessoas de outras localidades a visitarem locais que consideramos bacanas (restaurantes, monumentos, escolas, etc.). Os alunos e alunas usaram a ferramenta Google MyMaps para reunir e mapear conhecimento, experiência, opiniões próprias (e de familiares) e imagens para criar o guia, que agora oferecemos a todos.
Como é um guia colaborativo, ele sempre estará aberto para receber contribuições. E pode ser compartilhado com todos!
Para entender todo o projeto, criamos um site: https://sites.google.com/view/guiadomochileirocaicara
— Márcio Motta

Não contente em desenvolver essa experiência fantástica, Márcio ainda registrou todo o processo em um website para servir como inspiração para outros educadores. Selo #SouProfessorCriativo para você! Agora eu fico aqui imaginando quão divertidas devem ter sido as expedições aos lugares, a escrita, a ilustração, o Dia da Toalha... A pergunta que eu tenho para o professor é: tem pra adulto? ツ