08 janeiro 2017

Você sabe o que é um doodle?


Lembrou das artes e animações comemorativas na página do Google, né? Sim, elas também são doodles, mas você sabia que esse tipo de arte gráfica já existia antes mesmo da criação da empresa? Destaco aqui esse texto (em inglês, sorry!) de leituras recentes e que apresenta como descoberta histórica uma série de doodles nas margens de manuscritos do século XIV.

A Wikipedia define doodle como um tipo de esboço ou desenho realizado ao acaso. Já o dicionário Oxford diz que doodles são desenhos grosseiros feitos de forma distraída. Essa "carga negativa" atribuída ao termo, perceptível na definição do dicionário inglês, aparece devido a forma como a palavra era empregada no século XVII. Nessa época doodle era o mesmo que tolo, simplório. Arriscaria dizer que essa escolha pela nomenclatura contribuiu em parte para que o desenho fosse até hoje considerado algo de menor valor em relação à escrita. O dicionário Cambridge é um pouco mais amigo. Em sua definição afirma que doodle é um pequeno desenho ou padrão produzido de formar despretensiosa, sem muito planejamento. Em bom português podemos traduzir como rabisco ou rascunho.

Figure 1. LJS 361, Kislak Center for Special Collections, Rare Books and Manuscripts, University of Pennsylvania Libraries folio 26r. Published in: Deborah Ellen Thorpe; Peter Stanley Fosl; Cogent Arts & Humanities  2016, 3, DOI: 10.1080/23311983.2016.1196864. Copyright © 2016 The Author(s)

Numa cultura em que a linguagem escrita se sobrepõe até mesmo à linguagem falada (oralidade) imagine qual o lugar que resta para a linguagem não verbal (visual)? Agora imagine como ficam os desenhos dividindo espaço com produções como vídeos, animações e fotografia? Imagine ainda como fica aquela produção que nem mesmo é considerada desenho: o rabisco?

Eu particularmente não vejo doodles como desenhos feitos "ao acaso" ou "sem pensar". Na verdade, nenhuma produção visual é concebida sem observação e consequentemente sem imaginação. Ou seja, é um tanto difícil desenhar algo sem pensar. Para sermos mais honestos é impossível para o ser humano permanecer algum tempo sem pensar em nada, não é mesmo? É por isso que vejo os doodles mais como desenhos livres e que qualquer pessoa consegue fazer para ilustrar e dar suporte a alguma ideia. Enxergando a partir dessa perspectiva, são desenhos que ajudam a simplificar uma mensagem complexa. Por serem produzidos a partir de traços simples, não tão rebuscados, são rotulados como bobos quando, na verdade, são espontâneos, o que é bem diferente.

Graças ao Design e à Internet os doodles saíram do nível do rabisco na lateral do caderno (ou do manuscrito) para figurar como importantes elementos de transmissão de mensagens na era digital. E o Google ajudou bastante nesse reposicionamento quando adotou esse tipo de desenho como principal recurso em vídeos e nas ilustrações comemorativas em sua página inicial. Os doodle-videos são hoje vistos como um gênero de produção audiovisual assim como um timelapse. Ponto para o Google que acreditou na força do Pensamento Visual e criou um estilo de vídeo para chamar de seu.

Assista ao doodle video do Google sobre compartilhamento de conteúdo: https://youtu.be/BcdZm3WAF4A 

Foi a partir daí que os doodles ampliaram o seu espaço no mundo das artes e conquistaram novas áreas como negócios e educação. A Doodle Art se tornou um estilo de produção gráfica muito difundida, inclusive ajudando no desenvolvimento de pessoas em condições especiais como no caso deste artista disléxico.

É justamente esse contraste entre uma ideia complexa e um traço simples que envolve o receptor. É possível perceber isso em múltiplos formatos como através de um esquema, de um infográfico, ou do vídeo produzido com doodles. E não é difícil produzir seu próprio doodle. Além do lápis e do papel, você também pode rabiscar em mesas digitalizadoras, no seu tablet e mesmo no celular através de aplicativos como, por exemplo, o Autodesk SketchBook. Em softwares como o Adobe Illustrator ou Corel Draw você também pode arriscar uma produção com o mouse.

Os doodles que ilustram esse texto foram produzidos em tablet no aplicativo Autodesk SketchBook por +Karla Vidal.

Certamente não vamos mais olhar o rabisco como simples obra do acaso. Seja como forma de diversão ou como registro de uma reunião, os doodles são importantes ferramentas de comunicação acessíveis a qualquer pessoa. A partir de agora você vai perceber que setas, balões, carinhas e textos, elementos gráficos que estão na base do Pensamento Visual, são recursos que ajudam a entender e produzir conhecimento nas mais variadas formas.

No Recife, professores e profissionais interessados em ter contato com os doodles e com o Pensamento Visual terão a oportunidade de participar do Prof-Lab de férias que vai trazer para a ABA Global Education a formação Pensamento Visual em ambientes de aprendizagem com Sidan o Rafa. O encontro está programado para acontecer no próximo dia 23 de janeiro e as inscrições podem ser feitas através do link: bit.ly/proflab.